Dinâmica Estética

Obras e devaneios em (in)constante (des)construção.

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O sentimento é um estado privado

                                                                              *por Suzana Silva Xavier

cadaver

Sou um cadáver! Na verdade, fingi ser um, fingi não sentir nada porque morto não sente. Todavia, fui uma morta – viva, uma morta que sentia o toque, o cheiro, o olhar, as sensações, tudo. Consegui perceber todos esses sentidos nas pessoas que foram vítimas do meu “faz de conta”, que me viram naquele estado de impossibilidade, fingindo ser um mero corpo ocupando um espaço.

Isso foi confuso para um humilde pedreiro, aquele que foi o primeiro a arregalar os olhos para me ver e andou de um lado para o outro, desordenado. Diferentemente da criança com seu olhar desconfiado, para ela aquilo não passava de uma brincadeira.

Afinal, como explicar a morte para uma criança se já é difícil para um adulto entendê–la? Na realidade ninguém a entende, simplesmente aceitamos como parte da vida e um dia quando essa criança for mais velha ela também aceitará.

De fato, isso não é tão impactante para uma criança quanto para um adulto, mais ainda para uma senhora, idosa. Essa teve seus batimentos cardíacos acelerados por alguns minutos devido ao meu teatro e eu jogada no chão segurando o riso com todas as minhas forças. Tive uma sensação de prazer por assistir a todas aquelas caras e bocas de susto, acreditando que eu poderia está morta e ao mesmo tempo uma sensação de desprazer, de culpa por te – las enganado com algo tão sério.

Depois de tantas expressões de espanto, desconfiança e tristeza pude perceber que Kant estava certo. O sentimento é um estado privado e sua colocação em palavras indica apenas uma possibilidade de universaliza – lo. Mesmo que varias pessoas vejam o mesmo cadáver, cada uma vai reagir de um jeito, vai ter um sentimento diferente.

Contudo, por mais que eu tente explicar a reação de cada pessoa eu jamais teria certeza de que foi aquilo mesmo que elas sentiram, pois só nós mesmos podemos definir nossos sentimentos.

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Vaidade em Excesso.

                                                                                *por Sílvia Cruz Peixoto

Vaidade em excesso...

Está tudo desmoronando, nada parece realmente no lugar, se me enquadro nesta confusão, com certeza não passa de uma ilusão criada, mas assim é a vida, contínua, passageira, mutável e desconexa. A decadência começa a se mostrar e nada mais faz sentido, vaidade, beleza, orgulho, todos em excesso causam destruição e cada vez mais vejo que esse é o objetivo, dizimação.

Vaidade...
Além disso, há coisas que me fazem correr a uma satisfação pessoal, não benéfica e ridicularizada pelo resto a minha volta, resto que tento ignorar, que tenta preencher meus vazios com suas imposições mutáveis e taxativas, inserindo o caos a minha mente, mas fugir dessa opressão não me tornar melhor, pois só fugir não preenche os vazios que começam a corroer.

Buscar objetos e experiências que não preciso me tornam negativa, nada consegue encher os espaços, a vaidade toma conta, abre caminho e serve como um band aid em uma ferida que não irá se curar, a da vontade de viver se torna o curativo, mesmo sabendo que ele não irá me satisfazer.

Excesso...
Ainda procuro o preenchimento, pois espero encontra-lo antes que o band aid se despregue de minha personalidade ainda incompleta, mas que se encaixa mesmo ilusoriamente a esta vida mutável.